31.12.12

:)




18.12.12


É desprezo, muito desprezo o que tenho para com estas capas visuais que existem e que se dão ao trabalho de chamarem por gente. Desprezo pela insuficiente e escassa tentativa de tornarem-se algo de grande valia ou mesmo de mera valia para com meu olhar humano. Que terror!
Que terror me habita ao pensar que podem ser muitos os que assim existem no globo.. e era por isso que se dava minha fuga das multidões, das presenças vazias.. das ruas.. da vida que vai lá fora e não me toca..
Mas com essas tais, sinto ser bem pior
Sinto um embrulho no estomago, uma cênica arte que tal interpreta, de tamanha forma, de total desgaste
que insiste em tocar onde não se deve, de tentar chegar onde não se chega
Sendo capa, não possui alma
Sendo arte, cênica parte do grande circo humano
és doença, falsa vida,
e eu apenas, desprezo.

14.12.12


Não é preciso o toque
quando os olhos
ja se conhecem
mesmo que em segundo
uma primeira vez
ou mais
Não é preciso 

13.12.12

30.11.12



Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

                      Chaplin

27.11.12


26.11.12

À desesperada morte


A doce e desvirtuosa moça que se aproxima à minha solidão é deselegante deveras,
 falante deveras, não  percebe sua incoveniência, sua chata persistência,
de me fazer companhia
de me gelar a alma, enegrecer o dia
e me deixar sob seus efeitos
tirar me a calma e a alegria...

Não tenho preça guria!
Hoje não, quem sabe um dia..
mas hoje, Não.



É um imenso lago  o lugar que me escondo
É num silêncio  a música da qual mergulho
É uma dança, a vida o meu dançar
É um adeus contínuo, uma fome aguda
É um choro soluçado, um suspiro de alívio
Tantos esconderijos e nenhum lar
Um infinito lugar, o nosso mundo
único
particular

Não se pode desaparecer sem voltar
Não se pode dançar sozinho, desviar
O coração pra o que é realmente vivo
O que brilha os olhos, o que toca
Senão a vida, o sonho, o sorriso
se embassam na fuligem dos dias
nas mentiras dos dias

Tantas cores vejo
da minha janela, o crepuscular
meu coração, meu lugar
nunca esquecer de voltar
ao agora, que penetra
e me chama à esse árduo caminhar
grande escola do amar-vida.

25.11.12


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim! 


Florbela Espanca-Lágrimas Ocultas
Por que é tão difícil?


21.11.12















Eu não desisto fácil.
É preciso muita dureza pra que isso aconteça,
desisto do que não é real, que não cabe ao meu pensar,
que não cabe ao meu olhar mais sincero.
Desisto ao que caleja o coração
e mesmo assim
eu não desisto, se for preciso, por algo maior...
desfaleço
tropeço
 perco a vista do caminho, volto
faço outro rumo
tomo outra vereda
mas não desisto
continuo...

Mas hoje o céu pareceu mudar de cor
...
se há de mudar os rumos que eu seguia em cega fé
 sejam também por maiores motivos
que não hoje serão esclarecidos
O passado [pretérito imperfeito]
os laços firmes desfeitos, o inconcebível.
Inclino meus ouvidos à canção que o vento me vem celebrar
e assim me diz, num sussurro amigo:
que por aqui é mais seguro
e que o amanha me aguarda
uma surpresa incontável

"se acalme , doce coração
não haverá mais dor, nem lamentação
se manteres o espírito alvo
e essa fé inabalável."



enquanto isso..

..eu vou borboletando
e procurando
a grande virtude dos que ainda
resistem
e  guardam  no peito
sem exitar
sem se deixar
levar
pelos olhos rasos
pelos corpos fracos
que presumem
possuir



20.11.12



até ser
formar

em suma
numa
onda
mar

13.11.12

outubro


Porque acabou queres fluente
A água que por mim corria
Covardia
desejar vosso desconhecido
Mas se a mim era palpável, real, latente
Tudo antes água corrente, oceano
Por que não querer
de ti o que em mim havia?

Porque me esqueci vem sempre a mente
Lembranças, sonhos, desejos
Pretérito imperfeito
Aquele desejo do Um
Aquelas palavras que nunca disse
Aquele tudo que não fostes
Porque vais pelo mundo e volta sempre ao meu peito
Sabe que o amor não é um direito, é dádiva
Recompensa de igual entrega
Amor não é temporada
Amor é canção em todo ano

Coisas pequenas, grandes circos, poucas palavras
E dor
Passou como passa
As chuvas de verão
Deixando  crescer as  flores
Que desabrocham
Sempre na outra estação.





azuis, amarelas, brancas, vermelhas...
borboletas no meu jardim
rosas, tulipas, botões e espinhos
flores no meu jardim
cores no meu coração





10.11.12

Três e meia da manha, de uma noite chuvosa, de um dia quente como nunca antes visto
 com muita água e sol de pressão baixa
companhias de bar sem o álcool
laranja, maçã e melancia
visitas e um pedido de solidão
um pedido de amor

pensamentos simples


Três e meia da manhã, bad brains, chuva que me lava o peito
tenho em mim todas essas cores
desapercebidas
simples
que guardam e cintilam um mundo
só meu
do qual um dia eu pude dividir
mas que não me cabe hoje
o eu, dividindo-se
no eu, que já foi você.




7.11.12




Os homens só podem compreender um livro profundo, depois de terem vivido pelo menos, uma parte daquilo que ele contém.
Ezra Pound




4.11.12

acordo com  o nó na garganta
o nó de costume
depois do mesmo sonho que ando a perseguir
Tantos sentimentos e emoções pulsando inda
que demoro segundos a me recuperar
O sonho tem a carga pesada, de ser sonho
mas um alívio tranquilo do despertar
O nó de costume
é das coisas que não sei, não vi, não sei se vi
o que pode ser real do sonho que nos leva todas as noites?
O que se pode captar?
Uma mente que os constrói como mosaicos
num filme dadaísta com luzes e amores
Um dilema saber
Bom é sentir
Sonhar é bom
Amar
melhor ainda

24.10.12

 sutil
sutiã azul
vejo verde
verdes formas sobre o tecido
tecido de corpo
tecido em corpo
verde forma nu

 flores saúdam a noite clara

da janela semi aberta
 rendastendas que dançam
pela brisa da chuva que passou
com o ar que vem do amanhã

a leve brisa me leva
                          consigo




15.10.12

Quero partir de mim

Descançar sob a sombra da mais bela árvore
Sem me preocupar com as dores que existem
Sem sentir as dores que flagelam meu peito
nessa noite onde tudo é claro
e é claro,
onde pelo coração, fui levada a ver uma verdade
que não dei ouvidos
quando pude.







Porque é dificil encontrar
Alguém que saiba o valor de um coração
Num tempo em que amor é extinção
Quando não existe mais porque
De ser um, quando se pode ter muitos
Quando a vista não vê o mais importante
Édificil encontrar
Quem saiba ler um olhar
Quem saiba ver um sorriso, e amar
Simplesmente pela maravilhosa dádiva da vida
E ser grato
Feliz
Completo
Com quem se tem ao lado
A verdade na alma é o mais raro
É mais fácil ser homem
Errante, pecador, imperfeito
Ninguém quer ser perfeito
E o que é a perfeição?
Nada além do que a pura verdade
A crua verdade
De saber que o amor não é a estação
Que passa
Mas o trem da vida
Percorrendo um caminho único
Passando por pessoas únicas
Que podem passar novamente
Mas nunca
Com a pureza do primeiro olhar
E o encanto
Da descoberta

14.10.12

Ainda não fazem pessoas de algodão

8.9.12

corujinha sabida
de saida
me pica o coração

olhinhos quietos
segundos espertos

asas abertas
abertas almas


corujinha sabida
queria a tua vigia
e o céu n'alma

27.8.12

Este eu que carrego
é teimoso, sempre erra
insiste em voltar onde reinava
tem vida própria
Aparece sempre quando em descuido
vício, e lateja quando a saudade aperta
Me põem contra as paredes de minha própria alma
e guia meus olhos num espelho negro onde não há luz
Não há imagens belas
Não há meus sonhos
Não há nada

Nesse abismo, tudo é vão
tudo é passagem
tudo
se foi


Este eu que carrego
é sempre fraco, sempre erra
inferniza a mente quieta
pertuba-á até que meus gigantes instintos despertem
ante o barulho do Eu
Eu,  que não sou
Eu, que não existe

Porque Sou, e não o eu que me és
Sou espírito
Sou estrela
Sou amor
Sou o que és
Ser

apenas seguindo O caminho
 transforma-dor
errando, tropeçando, mas seguindo
a eternidade que é o tempo
 do Amor

26.8.12

dói

23.8.12



31.7.12


Os pássaros passam
e me avisam dos ventos do sul
é um frio que vem do sul
O meu norte nada magnético
é feito de coisas místicas dispersadas
Coisas, coisas, energias, energias
um 'não sei, sabe?'

Ter domínio da vida e dos sonhos
a mente que se trapaceia
a memória que ainda golpeia
a porta aberta-dor-amor

Já são, já foram, já.. não.
nem foi..
nem..
e..
em..



A lua está bonita essa noite
Vamos sair?

30.7.12

Relâmpago!
uma luz
um estrondo
um lapidar sobre a pedra
um caminhar sobre o mar
um caminho
uma busca
um suspiro
uma saudade, presente
uma canção
sem ser cantada
uma oração
feita silenciada
decoração
em minha casa velha, ultrapassada
união
meu clamor
antes como pedras
uma celebração de amor
uma restauração ao móvel 
que nos resta
Humana idade!
o que nos resta são os velhos móveis
pedindo insistentemente para serem pintados
restaurados, e postos ao sol !
Para que cintilem toda essa doçura que é o ar!
o amor!
a chuva!
tudo!
o que temos e não vemos!
o que podemos e não tentamos!
o que nos guarda, para que despertemos... !

26.7.12

27.6.12

respiração
pulsação
coração

25.6.12

21.6.12


RAS

Sentir-se em estado de necessidade
todo instante
O ser que necessita de alma
A que possui, a que espelha a sua
Em linhas sinuosas, primas
Sentir-se em palpitação
todo instante
Quando é de chegada ou partida
quando é sempre
mesmo que não lembre
Sentir-se sob outra carne
Sentir-se sob outros olhos
Ver, através de mais olhos
o seu mundo-universo
Ter, sob a alma dois corpos
Um só espírito em Amor

14.6.12

sempressa
sempre essa
sempre essa pressa

 sem essa pressa
sempressa
semressa
semessa
Esta que diz, fala
Essa que diz, muda
Essa que diz, seca
Esta que diz, boca
É essa que diz, água
Esta que diz, molha
Aquela que diz folha
Não é a desta
que esta
é, feliz
quando diz eita!

Existe os picos de insiração

No momento Agora, está havendo uma movimentação energética do qual eu Párcitipo ainda em forma anuviada em seu movimento centrífugo. Sim. Não é simples.
É vida! movimento esse que ordena em descontinua os passos e pares dias. Pares vidas que nos cruzam a rua, duplas, triplas, quintetos vidas que caminham pela rua. A grande obra da Grande Mãe. Pai e constelações unidas. Únicas. Esvaídas, correntes, cabeças, pernas, braços, num movimento global de matéria e espírito.
Devo dizer a você que lê que não ousarei decifrar-me em simples palavras o pensamento que envolta-se nesta profunda dissertação.
Há Sentido, Há Virtude!
Apenas BUSQUE!





espaços
multiplos espasmos
pasmos
orgasmos
desprezos.

Enquanto a tarde cai



13.6.12

homenagem a Pavel Kohout


Que te devolvam a alma
Homem do nosso tempo.
Pede isso a Deus
Ou às coisas que acreditas
À terra, às águas, à noite
Desmedida,
Uiva se quiseres,
Ao teu próprio ventre
Se é ele quem comanda
A tua vida, não importa,
Pede à mulher
Àquela que foi noiva
À que se fez amiga,
Abre a tua boca, ulula
Pede à chuva
Ruge
Como se tivesses no peito
Uma enorme ferida
Escancara a tua boca
Regouga: A ALMA. A ALMA DE VOLTA.

11.6.12

9.6.12

Mais que mil palavras...

7.6.12

Abraça o Conteúdo e Não a Forma

Às vezes o homem repudia a mulher, ou a mulher muda de amante, por se ter desiludido. Consequências do comportamento leviano quer de um quer do outro. Porque só é possível amar através da mulher e não a mulher. Através do poema e não o poema. Através da paisagem entrevista do alto das montanhas. E a licenciosidade nasce da angústia de não se conseguir ser. Quando uma pessoa anda com insónias, volta-se e torna-se a voltar na cama, à procura do fresco ombro do leito. Mas basta tocá-lo, para ele se tornar tépido e recusar-se. E ele procura noutro sítio uma fonte durável de frescura. Mas não consegue dar com ela, porque mal lhe toca a provisão esvai-se.
O mesmo se passa com aquele ou com aquela que se fica no vazio dos seres. Não passam de vazios os seres que não são janelas ou frestas para Deus. É por isso que, no amor vulgar, só amas o que te foge. De outra maneira, vês-te saciado e descoroçoado com a tua satisfação.

Antoine de Saint-Exupéry





Tempo de grandes mudanças!


4.6.12

Boca seca

E hoje eu termino de enterrar a imagem angelical, delicadamente construída sob a idéia de amor.
E hoje Eu cuspo, grito, soco esse arco iluminado que veio lhe retendo sob minha vista, meu sub consciente, meus passos poucos pela cidade. Essa sua imagem.
Apago com borracha, onde as marcas me rasgam a sã consciência de uma duvida nunca resolvida, uma palavra jamais saída, da boca fria e fina que me flagela- nesse silêncio febril
Nessa saudade que dura! afinca! mastiga!

Eu digo até breve,
Amor.


Mudança, atitude vital!


3.6.12

Palavras a esmo
introdução
a mim mesmo

Nasceram poemas
miúdos
agúdos

2.6.12

Em canto
o
desencanto

31.5.12

E tudo é sol
Luz e Vida!

30.5.12

Brevidade de um passo no passeio.

Amavisse


Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.
Carrega-me contigo.
No Amanhã.
Vi as éguas da noite entre os escombros
Da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras
E vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato.
Vi-as tumultuadas. Intensas.
E numa delas, insone, me vi.

Pois pode ser.
Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.
Pensá-LO é gozo. Então não sabes? INCORPÓREO É O DESEJO.


Fragmentando desanuvios


III
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.


O amor e sua fome

29.5.12

"Assim como a primavera é muito amada pelas árvores, pássaros e peixes... Você não conhece sua primavera espiritual íntima. Ela ainda não veio, você ainda não a convidou. A primavera exterior vem e vai, vem e vai, mas a primavera interior só vem e nunca vai. É uma primavera eterna. 
Suas flores são flores da eternidade.
 Uma vez iluminado você fica para sempre iluminado. Não gá nenhum modo de voltar atrás. Quão mais esplendorosa e quão mais milagrosa será a primavera interior! Mesmo a exterior é tão grande; a interior não é apenas quantitativamente grande, ela é também qualitativamente grande.
A busca da verdade é a busca da primavera interior"

.
Osho

26.5.12

Ferlinghetiando...


Saudade, saudação, silêncio, silício, súplica, serpente, santo, sento-me em tua estátua que me habita o sub solo mental, e digo-lhe
SEMPRE ESTARÁ EM MIM
porque és parte, ausente-mente
de eu, em mim, ou não
nem sempre
mas és
A gemea, parte, alfa, alma
EXISTEN.TE- MENTE

23.5.12

e o amor que é tão raro hoje em dia



... em que tudo é tão caro e ja virou mercadoria.


Não é preciso signos, orixás, cabala...
É tudo 'amô'



20.5.12

Esse cheiro que invade a casa, é mirra
Essa canseira gostosa, essa saudade
Esse seu nome, esse eu te amo
Isso tudo que nos mantém
Uma doce, irrealidade

16.5.12

sssss ta sssss ta


Essa longa batida invade de uma forma.. essa sensação, esse alívio, sopro, frescor...
Impressionante que não sintam. Impressionante que não aspirem tal paz, na mais simples forma obtida...
Esse deixar-se
Um desabitar-se
Maravilha de quem vive e O sente...
Gratidão, enorme gratidão...
Corpo, pele, coração...
Uma celebração de amor..
Eu agradeço, e me deixo tomar
Pelo canto que existe
No fundo
Da alma
O seu canto
Que purifica
E transforma

Ras & Queen Sparrow

15.5.12


Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino 
que há pouco chorou


Helena Kolody

13.5.12


Dreams come true

Mas que Belo Horizonte

Nome melhor não poderia haver.
Agora é só meter a vista fixa, e os desejos da alma celados.

9.5.12


Transborda...
me

E a cada dia...


eu tenho mais certeza.


6.5.12

Muito Amor

2.5.12

"A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande."

Roger Bussy-Rabutin

A Quem Se Machuca



Inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra. Só que de costas.
Há duas situações inimigas dentro do amor. Pertinho e uma de costas para a outra. Ambas ameaçam dar certo e não dar certo.
Quando se ama, tanto se teme enfrentar a possibilidade de dar certo,cheia de prisões e tentáculos, como o risco de não dar certo e ficar rompida uma harmonia que  poderia ter funcionado.
Ambas as situações convivem em quem ama. Porque “viver bem” não é dar certo. Dar certo é ser capaz de prosseguir apesar do desacerto.
“Viver mal” não é necessariamente dar errado. Dar errado é não poder prosseguir.
Composto também de partes inimigas, o amor se enriquece dos cansaços incapazes da destruição. Só vive do imperfeito de cada confronto. Só é, quando vive ameaçado de deixar de ser. Caso contrário, não seria; simplemente deixaria de ser.
Os inimigos são duas pessoas pertinho uma da outra, mas de costas,porque, se  se virarem, encontrar-se-ão. E é isso o que temem. São mais unidos, talvez, que amigos, um de frente para o outro, mas a metros ou quilômetros de distância, e só por isso se entendem.
O  medo de amar é o medo de estar perto demais (ainda que de costas), o que de certa forma escraviza. O engano de amor é estar longe, mas de frente, o que de certa forma atenua.
A coragem de amar equivale à coragem de ser: é fazer dois inimigos, de costas um para o outro, virarem-se de frente para sentir o perfume, o
olho, o medo, a força, a ternura, muita raiva e muito carinho e aceitartudo, por isso amar.
A falsidade do amor é permanecer de frente como amigos: pura e simplesmente se aceitando. Sem contradita. Sem a oposição capaz de ser vencida pela permanência do sentimento, a despeito do eu de cada um.
O medo de quem ama é o medo da relação profunda, porque nela está a entrega que não rompe, apesar das  tragédias da superfície. E a superfície só faz a tragédia, para impedir que o eu contemple de  frente a relação profunda. Esta contém o que não se destrói, apesar das diferenças.
Na relação profunda está o desamparo e a necessidade tão pura que nunca pôde vir à tona. Na relação superficial está a fantasia, o eu idealizado, a armadura enfeitada de cada um.
Quem se relacionar ao nível da armadura será  feliz no começo, na fase hipnótica do amor. Quem preferir o nível profundo de relacionamento talvez seja até infeliz. Mas amará. A infelicidade  pode  fazer virar as costas para o inimigo, separar-se dele. Mesmo assim não será maior que o amor advinhado e sentido, se a relação é profunda.
Não te vires de frente para o inimigo! Podes amá-lo. Ele vai advinhar, e tu também, o amor está na peleja de quem ama. Não fiques tão de frente, mas tão longe de quem gostas. No que chegares perto, talvez detestes e sejas detestado.
Amar é estar de costas. Gostar é estar de frente. Um ultrapassa a inimizade que vive junta. Outro vive a amizade fácil, mas que se se aproximar pode não ser amor. Por isso era tão fácil sentir!
Amar é apesar. É através. É a despeito, mas é com. Amar, às vezes, é contra, mas perto e fundo. Mesmo de  costas. É malgrado. É com ferida e cicatriz, mas íntegro, verdadeiro e leal.
Amar fundo é  ter medo de virar de  frente. Porque  aí pode  surgir, cristalina, a possibilidade de dar certo. É a entrega. Que é, no fundo,o que mais teme quem ama.

Artur da Távola