Este eu que carrego
é teimoso, sempre erra
insiste em voltar onde reinava
tem vida própria
Aparece sempre quando em descuido
vício, e lateja quando a saudade aperta
Me põem contra as paredes de minha própria alma
e guia meus olhos num espelho negro onde não há luz
Não há imagens belas
Não há meus sonhos
Não há nada
Nesse abismo, tudo é vão
tudo é passagem
tudo
se foi
Este eu que carrego
é sempre fraco, sempre erra
inferniza a mente quieta
pertuba-á até que meus gigantes instintos despertem
ante o barulho do Eu
Eu, que não sou
Eu, que não existe
Porque Sou, e não o eu que me és
Sou espírito
Sou estrela
Sou amor
Sou o que és
Ser
apenas seguindo O caminho
transforma-dor
errando, tropeçando, mas seguindo
a eternidade que é o tempo
do Amor
