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28.4.12

Singular

      Era uma manhã. Dessas que o ar cálido da madrugada cessa no momento em que as aves acordam e ouve-se os primeiros passos da vida acontecendo pela fria rua. 
Acordou num suspiro longo, cerrado. Aquele seria um dia difícil.
Teria um dia todo, cheio de 24 horas, estas que lhe somavam tantas primaveras e que desdenhava a cada segundo que passava. A vida lhe era um peso enorme. A morte, a perda, a morte de alguém ainda em vida. Não sabia como lidar ante tanto ruido no peito. Uma agonia pequena, que embora cheios fossem, os dias, lhe eram responsáveis pela nata inspiração de homem lobo.






   . 

20.4.12

Singular

Era um andar suntuoso.
Delineava-se nos rápidos socos pelos paralelepípedos,
deixando poeira, células mortas, e por vezes a marca do sapado nas poças de barro.
A sujeira aquarelava seu sapato, amadeirado solado.
Riqueza vista no trajar, no falar, e no cabelo de uma limpeza ultra-feminina.
Olhos, bocas, cabelos femininos.
Rouca voz que lhe traia as delicadezas.
Muitas coisas, idéias, sentimentos, anseios. Poucas palavras.
Poucas pessoas lhe rondavam a vida. Muitas a maldiziam.
Nascia assim o personagem, ríspido, cético, de um alter-ego no passado.
Um eu, Pessoa, meio Põe, Meio Sinclair.




 Meio um de tantos, em muitos. Único.