20.2.13
















De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento...

3.2.13


















Tenho me bastado
E por isso
Tenho desencorajado, esse prosseguir
Tenho me encontrado
Distante, em mim
Reencontro tão celebrado
Por isso esse luzir nos olhos, esse feliz
Ar de viajante
Que sabe como ir
Mas não onde chegar
Tenho me amado
E de amor me bastado
Quero conseguir
Iluminar o céu, a noite, a ti
Mesmo que o caminho seja só
Não acovardar
pois a vida aí está
sob o sol
A me continuar...

"A minha vida me basta,
mas com você tem mais graça"

20.1.13

A TERRÍVEL DÚVIDA DAS APARÊNCIAS

Da terrível dúvida das aparências,
da incerteza afinal de que possamos estar iludidos,
de que talvez a confiança e a esperança não sejam afinal senão especulações,
de que talvez a identidade para além do túmulo seja apenas uma linda fábula,
de que talvez as coisas que observo, os animais, plantas, homens, colinas, águas brilhantes a fluir,
o céu do dia e da noite, cores, densidades, formas, talvez tudo seja (como sem dúvida é) apenas aparições, e a coisa real ainda esteja por conhecer
(quão frequentemente se desligam de si mesmas como se para me confundir e zombar de mim!
quão frequentemente penso que não sei nem homem nenhum sabe nada a respeito delas),
talvez me parecendo aquilo que são (como sem dúvida parecem) no meu presente ponto de vista e podendo revelar-se depois (como naturalmente poderiam) como não sendo nada daquilo que parecem, ou nada enfim, a partir de pontos de vista totalmente diferentes;
para mim essas e outras questões semelhantes são de algum modo respondidas pelos meus amantes, meus queridos amigos,
quando aquele que eu amo viaja comigo ou se senta segurando longamente minha mão,
quando o ar sutil, o impalpável, o sentido que as palavras e a razão não detêm, nos cercam e nos perpassam,
então me sinto invadir por uma sabedoria indizível, inaudita, e fico em silêncio, e não me falta mais nada,
não posso resolver a questão das aparências ou a da identidade para além do túmulo,
mas caminho ou me sento, indiferente, e estou satisfeito;
ele, a segurar minha mão, me satisfez completamente.

Walt Whitman

12.1.13





Eram azuis de céu amor
As luzes que se formavam
Conforme o astro se conduzia
Ao seu nascer
Um céu de estrelas
Que sumiam
E cores, cores...
O teu olhar cintilava
a luz se aproximava
E eu via o infinito
E sentia nos teus braços
O amor do universo
Numa eternidade
Pincelada sob um céu bordado
Com cores e sonhos
Refletidos nos teus olhos
Que brilhavam
No meu coração

1.1.13


pois que tudo é
um eterno
recomeço