"As mãos de Judith batiam contra a superfície lisa do espelho, vidro, seus belos dedos longos, finos. O que é isso? Só aparência. A profundidade: só aparência. A infinidade: só aparência. Estes são só espelhos. Veja: o que é simplesmente reflectido não é a verdade. Só a consciência dos espelhos, ou seja, a reflexão reflectida, é a verdade. Veja só: ele puxou Judith para bem perto de si. Será que estamos fundidos, agora? Uma unidade? Ou somos diferentes? Para o espelho isso é indiferente. Por outro lado, somos muitos. Veja só em quantas duplicações existimos no espelho. Leo girou o corpo e virou-se com Judith colada ao seu corpo entre os espelhos. E agora preste atenção. Leo virou um dos espelhos. As duplicações haviam sumido. Era uma dança dos conceitos, um balé do intelecto, uma festa da reflexão. Ele girava com Judith, encostando os quadris, as pernas, mais um giro, virou o segundo espelho, e agora? Desaparecemos? Sim, assim parece, e no entanto estamos aqui, a sua palavra e a minha o asseveram. De novo, ele virou um dos espelhos e perguntou: o que você está vendo agora?Algo bem diferente. E mesmo isso eu posso espelhar até a infinidade."
Menasse.
