30.11.12



Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Tu és jovem.
Atender a quem te chama é belo,
lutar por quem te rejeita
é quase chegar a perfeição.
A juventude precisa de sonhos
e se nutrir de lembranças,
assim como o leito dos rios
precisa da água que rola
e o coração necessita de afeto.

Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.

                      Chaplin

27.11.12


26.11.12

À desesperada morte


A doce e desvirtuosa moça que se aproxima à minha solidão é deselegante deveras,
 falante deveras, não  percebe sua incoveniência, sua chata persistência,
de me fazer companhia
de me gelar a alma, enegrecer o dia
e me deixar sob seus efeitos
tirar me a calma e a alegria...

Não tenho preça guria!
Hoje não, quem sabe um dia..
mas hoje, Não.



É um imenso lago  o lugar que me escondo
É num silêncio  a música da qual mergulho
É uma dança, a vida o meu dançar
É um adeus contínuo, uma fome aguda
É um choro soluçado, um suspiro de alívio
Tantos esconderijos e nenhum lar
Um infinito lugar, o nosso mundo
único
particular

Não se pode desaparecer sem voltar
Não se pode dançar sozinho, desviar
O coração pra o que é realmente vivo
O que brilha os olhos, o que toca
Senão a vida, o sonho, o sorriso
se embassam na fuligem dos dias
nas mentiras dos dias

Tantas cores vejo
da minha janela, o crepuscular
meu coração, meu lugar
nunca esquecer de voltar
ao agora, que penetra
e me chama à esse árduo caminhar
grande escola do amar-vida.

25.11.12


Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim! 


Florbela Espanca-Lágrimas Ocultas
Por que é tão difícil?


21.11.12















Eu não desisto fácil.
É preciso muita dureza pra que isso aconteça,
desisto do que não é real, que não cabe ao meu pensar,
que não cabe ao meu olhar mais sincero.
Desisto ao que caleja o coração
e mesmo assim
eu não desisto, se for preciso, por algo maior...
desfaleço
tropeço
 perco a vista do caminho, volto
faço outro rumo
tomo outra vereda
mas não desisto
continuo...

Mas hoje o céu pareceu mudar de cor
...
se há de mudar os rumos que eu seguia em cega fé
 sejam também por maiores motivos
que não hoje serão esclarecidos
O passado [pretérito imperfeito]
os laços firmes desfeitos, o inconcebível.
Inclino meus ouvidos à canção que o vento me vem celebrar
e assim me diz, num sussurro amigo:
que por aqui é mais seguro
e que o amanha me aguarda
uma surpresa incontável

"se acalme , doce coração
não haverá mais dor, nem lamentação
se manteres o espírito alvo
e essa fé inabalável."



enquanto isso..

..eu vou borboletando
e procurando
a grande virtude dos que ainda
resistem
e  guardam  no peito
sem exitar
sem se deixar
levar
pelos olhos rasos
pelos corpos fracos
que presumem
possuir



20.11.12



até ser
formar

em suma
numa
onda
mar

13.11.12

outubro


Porque acabou queres fluente
A água que por mim corria
Covardia
desejar vosso desconhecido
Mas se a mim era palpável, real, latente
Tudo antes água corrente, oceano
Por que não querer
de ti o que em mim havia?

Porque me esqueci vem sempre a mente
Lembranças, sonhos, desejos
Pretérito imperfeito
Aquele desejo do Um
Aquelas palavras que nunca disse
Aquele tudo que não fostes
Porque vais pelo mundo e volta sempre ao meu peito
Sabe que o amor não é um direito, é dádiva
Recompensa de igual entrega
Amor não é temporada
Amor é canção em todo ano

Coisas pequenas, grandes circos, poucas palavras
E dor
Passou como passa
As chuvas de verão
Deixando  crescer as  flores
Que desabrocham
Sempre na outra estação.





azuis, amarelas, brancas, vermelhas...
borboletas no meu jardim
rosas, tulipas, botões e espinhos
flores no meu jardim
cores no meu coração





10.11.12

Três e meia da manha, de uma noite chuvosa, de um dia quente como nunca antes visto
 com muita água e sol de pressão baixa
companhias de bar sem o álcool
laranja, maçã e melancia
visitas e um pedido de solidão
um pedido de amor

pensamentos simples


Três e meia da manhã, bad brains, chuva que me lava o peito
tenho em mim todas essas cores
desapercebidas
simples
que guardam e cintilam um mundo
só meu
do qual um dia eu pude dividir
mas que não me cabe hoje
o eu, dividindo-se
no eu, que já foi você.




7.11.12




Os homens só podem compreender um livro profundo, depois de terem vivido pelo menos, uma parte daquilo que ele contém.
Ezra Pound




4.11.12

acordo com  o nó na garganta
o nó de costume
depois do mesmo sonho que ando a perseguir
Tantos sentimentos e emoções pulsando inda
que demoro segundos a me recuperar
O sonho tem a carga pesada, de ser sonho
mas um alívio tranquilo do despertar
O nó de costume
é das coisas que não sei, não vi, não sei se vi
o que pode ser real do sonho que nos leva todas as noites?
O que se pode captar?
Uma mente que os constrói como mosaicos
num filme dadaísta com luzes e amores
Um dilema saber
Bom é sentir
Sonhar é bom
Amar
melhor ainda