23.8.11

hei de me lembrar do frio, roçando a espinha, tomando conta

você
numa ânsia em fugir
que dita-nos um futuro, desejado
juntos, quem sabe?

agradeço-lhe o calor
o cuidado

olhos Portinarianos 
mal vistos
mal compreendidos

sem tua presença, como seria?
à lamentar-me um renascimento, um final?
à consolar-me em memórias vagas, vãs?
à relembrar-me fantasmas e vozes?
deixemo-nos no passado
o teu, o meu
temos o presente

(riso longo, que toma o peito, em silêncio
silêncio)


o silêncio

e me olha, quente
pequeno arlequim, que me toca 
o vejo, nu
quente
e me tens toda
perto

onde não havia
vida
há tempos



22.8.11

ei

olhe pra cima
ria para o ar
você já nasceu chorando
pra que continuar?

alice guerra

is true?


Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai


peito vazio - Cartola (: 

(tão bonito a dor 
vista de fora
cantada aos assobios
em risos)


21.8.11

BASTA.

late for that we call of love

20.8.11

o nós engoliu-me

e vomita-me para fora do mundo
maldito mundo!
não lhe pertenço, nunca o pertenci
acreditava estar no nosso nós, enquanto via
a sua silhueta sob meus olhos fechados.
Do que sei agora? o que sabia?
um sem rosto, como disseste
qual importância de ver e estar, determinados tempos de sintonia
o nós afogou-me
e tem me feito escrava, iludida
podre sentido que guiava o salto
a queda não é bruta

Poderia eu saber dos malefícios?
tão humana como tu
por qual caminho queres seguir com tua verdade?
diga-me

tenho andado, serenamente com teu nome nos olhos
e a boca seca, infértil.
A que se dirige um sentimento não mais desejado? onde o deposito?
Tantos a lamentar tamanho descuido, tantos o suplicam
tenho-o no peito, tatuado em pele e seda, o teu nome
O que queres mais que minha voz proclame? senão que o amo, e desejo e espero e amo e desejo...

como um mantra diabólico, vislumbro em sonho as tuas asas
Tenho em mim,
o seu sorriso mais lindo, ímpar

quero exilar-lhe, sentimento desordenado
que me flagela, amargura
e subtrai  sob sua existência, a minha

.



Acrilic on canvas

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra
E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte
E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"


legião.


Assim, o principezinho, apesar da sinceridade do seu amor, logo começara a duvidar dela. Levara a sério palavras sem importância, e isto o fez sentir-se muito infeliz.
“Não devia tê-la escutado”, confessou-me um dia, “não se deve nunca escutar as flores. Basta admirá-las, sentir seu aroma. A minha perfumava todo o meu planeta, mas eu não sabia como desfrutá-la. Aquela história das garras, que tanto me irritara, devia ter-me enternecido...”
Confessou-me ainda:
“não soube compreender coisa alguma! Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. Ela exalava perfume e me alegrava... Não podia jamais tê-la abandonado. Devia ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la”


O pequeno príncipe

19.8.11

'Onde mora o teu sorriso
Durmo eu no assoalho'


lemoskine