23.8.11

hei de me lembrar do frio, roçando a espinha, tomando conta

você
numa ânsia em fugir
que dita-nos um futuro, desejado
juntos, quem sabe?

agradeço-lhe o calor
o cuidado

olhos Portinarianos 
mal vistos
mal compreendidos

sem tua presença, como seria?
à lamentar-me um renascimento, um final?
à consolar-me em memórias vagas, vãs?
à relembrar-me fantasmas e vozes?
deixemo-nos no passado
o teu, o meu
temos o presente

(riso longo, que toma o peito, em silêncio
silêncio)


o silêncio

e me olha, quente
pequeno arlequim, que me toca 
o vejo, nu
quente
e me tens toda
perto

onde não havia
vida
há tempos