você
numa ânsia em fugir
que dita-nos um futuro, desejado
juntos, quem sabe?
agradeço-lhe o calor
o cuidado
olhos Portinarianos
mal vistos
mal compreendidos
sem tua presença, como seria?
à lamentar-me um renascimento, um final?
à consolar-me em memórias vagas, vãs?
à relembrar-me fantasmas e vozes?
deixemo-nos no passado
o teu, o meu
temos o presente
sem tua presença, como seria?
à lamentar-me um renascimento, um final?
à consolar-me em memórias vagas, vãs?
à relembrar-me fantasmas e vozes?
deixemo-nos no passado
o teu, o meu
temos o presente
(riso longo, que toma o peito, em silêncio
silêncio)
há
o silêncio
e me olha, quente
pequeno arlequim, que me toca
pequeno arlequim, que me toca
o vejo, nu
quente
e me tens toda
e me tens toda
perto
onde não havia
vida
há tempos