26.7.11
19.7.11
16.7.11
-Como celebrar primaveras? ...
Terei que renovar-me
Atravesso a alta noite, e o corpo acanhado, dobrando a forma e diminuindo-se, prolongo o ultimo ar que resiste ante o sono que não alivia.
Que são os dias? Nunca foram tão cheios e invisíveis sob meu olhar sensível.
Não posso julgar os caminhos e vidas que por mim passam em relance, creio encher-me até por demais, com de-menas visões de minha própria, vida!
Ora, que tempo absurdo esse que passa através da lente, que capta e em imagens forma-se um filme do envelhecer
Como era essa a cena em que se desfalece o ser, que outrora em gozo estabeleceu-se vida, nesse campo de perdas e lembranças, tal vida que se esvai?
Corro com o tempo, e olho-o nos olhos, amargos e serenos, dizendo-me:
-Pobre criança, por que severo é teu olhar sobre mim?
-Sei que jogas, assim como o mágico que ora tens tudo o que precisa, (expectadores de teus atos, magníficos!), ora tens a solidão que perpetua tua existência eterna, e casta.
-Um mágico que te consolas, em sono profundo e te amanhece com a vida! Não se queixe tanto pobre criança...
-Tirou-me o suor vindouro de calos planejados, o gozo da vida, o meu amor! Levou-me o riso, o pranto, o calor de lutas do eus, que me povoava, tirou-me...
- O que tanto me suplicava em agonia para que eu levasse para longe? Não sabes o que quis e sempre quererá, sabes o agora, o que sentes, sabes assim como estou em ti e sobre ti, a consolar-te ante o sono que lhe presentearei, agradeça-me pelo sopro que em teu peito arde, agradeça-me, por Tê-lo em memória e felicitar-se assim...
-Tal verdade, obrigada pela memória, calcada sobre teus ombros, mas vivida e desenhada nos contornos de minha existência, que não é de sua ascendência e sim de sua generosidade, tão rápida como um sopro...
-Sei que o rancor que lhe grita aos olhos por mim, em determinado segundo que me desviei a atenção te custou de muitos dias, o ano que passa sem que teus quereres sejam realizados, porém sabe que em troca te trarei a alegria de infinitas primaveras, para compensar-lhe com tamanho descuido meu, desculpe-me, também falho na tentativa de estar antes e após no sempre como agora, não sejas tão cruel, poupe-me os lamentos, por segundo...
-Na espera estarei, até que retornes em doçura, o tempo perdido que gastei apenas alarmando-te, flagelando o amor e em si golpeando-me novamente sob sua sombra. Enquanto isso, me resta olhar-te correr em minha volta, com as costas curvadas a imitar-me o espírito, cansado e triste sem aquele que levaste pra longe, sem aquele que amo...
Terei que renovar-me
Atravesso a alta noite, e o corpo acanhado, dobrando a forma e diminuindo-se, prolongo o ultimo ar que resiste ante o sono que não alivia.
Que são os dias? Nunca foram tão cheios e invisíveis sob meu olhar sensível.
E o peito, tão quente e sereno, nutrindo-se em amor que me leva...
(-eu te respondo: recontando-lhe o desencanto de outrora, um sopro, a palavra.)
Acordei gozado,
E o gozo transformou-se em oxigênio,
E o fogo novamente consumou minha existência...
Só vejo luz na partícula da brasa mais acesa em meio a grande fênix
Que Karl Marx pintou de ouro.
Ao acordar do milésimo sonho pensei...
As mil e uma noites são suas...
No dia seguinte já não pensava mais em teoria.
Pintei teu corpo nu em minha alma,
Esculpi na matéria energética refreada de meus pensamentos,
Talhei teus seios,
E o rebento fez valer a teimosia
Livrei a moral de culpa generosa...
Pompa minha,
Decidi por nós o que já era meu há tanto...
Procuro nos teus cantos meus encantos,
Pois ecoa nos teus prantos
A m o r e Bel dia.
...e permaneceram por dias, a latejar, tuas palavras oscilantes...
senhor dos meus olhos.
senhor dos meus olhos.
10.7.11
6.7.11
1.7.11
em mim. O nós
Ó mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!
Florbela Espanca
Assinar:
Postagens (Atom)

