16.7.11

-Como celebrar primaveras? ...



Terei que renovar-me
Atravesso a alta noite, e o corpo acanhado, dobrando a forma e diminuindo-se, prolongo o ultimo ar que resiste ante o sono que não alivia.
Que são os dias? Nunca foram tão cheios e invisíveis sob meu olhar sensível.
Não posso julgar os caminhos e vidas que por mim passam em relance, creio encher-me até por demais, com de-menas visões de minha própria, vida!
Ora, que tempo absurdo esse que passa através da lente, que capta e em imagens forma-se um filme do envelhecer
Como era essa a cena em que se desfalece o ser, que outrora em gozo estabeleceu-se vida, nesse campo de perdas e lembranças, tal vida que se esvai?
Corro com o tempo, e olho-o nos olhos, amargos e serenos, dizendo-me:
-Pobre criança, por que severo é teu olhar sobre mim?
-Sei que jogas, assim como o mágico que ora tens tudo o que precisa, (expectadores de teus atos, magníficos!), ora tens a solidão que perpetua tua existência eterna, e casta.
-Um mágico que te consolas, em sono profundo e te amanhece com a vida! Não se queixe tanto pobre criança...
-Tirou-me o suor vindouro de calos planejados, o gozo da vida, o meu amor! Levou-me o riso, o pranto, o calor de lutas do eus, que me povoava, tirou-me...
- O que tanto me suplicava em agonia para que eu levasse para longe? Não sabes o que quis e sempre quererá, sabes o agora, o que sentes, sabes assim como estou em ti e sobre ti, a consolar-te ante o sono que lhe presentearei, agradeça-me pelo sopro que em teu peito arde, agradeça-me, por Tê-lo em memória e felicitar-se assim...
-Tal verdade, obrigada pela memória, calcada sobre teus ombros, mas vivida e desenhada nos contornos de minha existência, que não é de sua ascendência e sim de sua generosidade, tão rápida como um sopro...
-Sei que o rancor que lhe grita aos olhos por mim, em determinado segundo que me desviei a atenção te custou de muitos dias, o ano que passa sem que teus quereres sejam realizados, porém sabe que em troca te trarei a alegria de infinitas primaveras, para compensar-lhe com tamanho descuido meu, desculpe-me, também falho na tentativa de estar antes e após no sempre como agora, não sejas tão cruel, poupe-me os lamentos, por segundo...
-Na espera estarei, até que retornes em doçura, o tempo perdido que gastei apenas alarmando-te, flagelando o amor e em si golpeando-me novamente sob sua sombra. Enquanto isso, me resta olhar-te correr em minha volta, com as costas curvadas a imitar-me o espírito, cansado e triste sem aquele que levaste pra longe, sem aquele que amo...
Terei que renovar-me
Atravesso a alta noite, e o corpo acanhado, dobrando a forma e diminuindo-se, prolongo o ultimo ar que resiste ante o sono que não alivia.
Que são os dias? Nunca foram tão cheios e invisíveis sob meu olhar sensível.
E o peito, tão quente e sereno, nutrindo-se em  amor que me leva...



(-eu te respondo: recontando-lhe o desencanto de outrora, um sopro, a palavra.)