2.9.11


O que guardo num baú tão rico e precioso. O que tenho sob a retina esculpida em nome. Os ares, sabores de um tardio adeus que não terminam em mim. Não posso. Esse peso que torneia a espinha, e corcunda-me a alma. Os pés sós, tristes. Não posso. Esse vazio, agudo, agudo, agudo num espelho infinito, reflete-me em espirais, formam-te. Não posso. Falha voz que cala no auge da frase, que um eu te amo te quero poderiam transparecer, o real. Não posso. A memória de um mar triste, eternizado. Não posso ver outros mares, não mais verei sem a memória, que não falha. Não posso. Num aborto, tirar-lhe assim, em tamanho horror, desumanidade, credulidade. Não posso, livrar-te a imagem que em mim vive. Não posso o segundo apagar-lhe no pra sempre. Que pra sempre, sempre que posso, lembrar-te-ei