6.1.11

III

"E depois, chuva de verão...

Sabem o que é uma chuva de verão?
Primeiro, a beleza pura rompendo o céu de verão, esse temor respeitoso que toma conta do coração, sentir-se tão irrisório no próprio centro do sublime, tão frágil e tão repleto de majestade das coisas, siderado, agarrado, radiante pela munificencia do mundo.
Em seguida, caminhar por um corredor e, de repente, penetrar num quarto de luz. Outra dimensão, certezas que acabam de nascer. O corpo já não é uma ganga, o espírito habita as nuvens, a força da água é dela, dias felizes se anunciam, num novo nascimento.
Depois, como as lágrimas, as vezes, quando são redondas, fortes e solidarias, deixam atrás de si uma longa praia lavada de discórdia, a chuva, no verão, varrendo a poeira imóvel é para a alma das criaturas como uma respiração sem fim.

Assim certas chuvas de verão se implantam em nos como um novo coração que bate em uníssono  com o outro."