6.1.11

I

"às vezes, porém, a vida nos parece uma comédia fantasma. Como tirados de um sonho, olhamos os outros agir e, gelados ao verificarmos o dispêndio vital requerido pela manutenção de nossos requisitos primitivo, perguntamos com espanto o que restou da Arte. Nosso frenesi de caretas e olhadelas nos parece de repente o cúmulo da insignificância, nosso pequeno ninho tão macio, fruto de endividamento de vinte anos, parece um ultimo costume bárbaro, e nossa posição na escala social, tão duramente conquistada e tão eternamente precária , parece de uma grosseira inutilidade. Quanto à nossa descendência, nós a contemplamos com um olhar novo e horrorizado porque, sem as vestes do atruismo, o ao de se reproduzir parece profundamente deslocado. Restam apenas os prazeres sexuais; mas, arrastados no rio da miséria primal, eles vacilam da mesma forma, pois a ginástica sem o amor não entra no quadro de nossas lições bem aprendidas.
A eternidade nos escapa."


Renée-A elegância do Ouriço