15.11.10

Soneto de Julho


É muito tarde para não te amar.
Tudo o que ouço é o sopro do teu nome.
O que sinto é teu corpo, que consome
presente, ausente o meu corpo.Luar

em que me abraso,morro: teu olhar
ofuscando memórias, onde some
um mundo, e outro se ergue.Sede,fome
e esperança.Ah para não te amar

é tão tarde que tudo é já distancia,
que só respiro este luar que me arde,
este sopro sem  praias do teu nome,

esta pedra em que pulsa e medra a ânsia
e esta aura, enfim, em que me envolve (é tarde!)
o que és-presente, ausente- e me consome.


Ruy Espinheira Filho