Este eu que carrego
é teimoso, sempre erra
insiste em voltar onde reinava
tem vida própria
Aparece sempre quando em descuido
vício, e lateja quando a saudade aperta
Me põem contra as paredes de minha própria alma
e guia meus olhos num espelho negro onde não há luz
Não há imagens belas
Não há meus sonhos
Não há nada
Nesse abismo, tudo é vão
tudo é passagem
tudo
se foi
Este eu que carrego
é sempre fraco, sempre erra
inferniza a mente quieta
pertuba-á até que meus gigantes instintos despertem
ante o barulho do Eu
Eu, que não sou
Eu, que não existe
Porque Sou, e não o eu que me és
Sou espírito
Sou estrela
Sou amor
Sou o que és
Ser
apenas seguindo O caminho
transforma-dor
errando, tropeçando, mas seguindo
a eternidade que é o tempo
do Amor
27.8.12
26.8.12
23.8.12
31.7.12
Os pássaros passam
e me avisam dos ventos do sul
é um frio que vem do sul
O meu norte nada magnético
é feito de coisas místicas dispersadas
Coisas, coisas, energias, energias
um 'não sei, sabe?'
Ter domínio da vida e dos sonhos
a mente que se trapaceia
a memória que ainda golpeia
a porta aberta-dor-amor
Já são, já foram, já.. não.
nem foi..
nem..
e..
em..
A lua está bonita essa noite
Vamos sair?
30.7.12
Relâmpago!
uma luz
um estrondo
um lapidar sobre a pedra
um caminhar sobre o mar
um caminho
uma busca
um suspiro
uma saudade, presente
uma canção
sem ser cantada
uma oração
feita silenciada
decoração
em minha casa velha, ultrapassada
união
meu clamor
antes como pedras
uma celebração de amor
uma restauração ao móvel
que nos resta
Humana idade!
o que nos resta são os velhos móveis
pedindo insistentemente para serem pintados
restaurados, e postos ao sol !
Para que cintilem toda essa doçura que é o ar!
o amor!
a chuva!
tudo!
o que temos e não vemos!
o que podemos e não tentamos!
o que nos guarda, para que despertemos... !
26.7.12
25.6.12
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