Cada novo dia, por maior que tenha sido o Bem feito no dia anterior, quatro monstros da alma nos espreitam e atacam: a onipotência, a malignidade, a depressão e a trivialidade. Cada ser humano normal tem os quatro dentro de si. Ou os descobre e combate, ou um, dois, os três ou os quatro o dominam. Os quatro juntos é raro e patológico. Mas um por dia, pelo menos temos que enfrentar. Enfrentá-los não os elimina. Porém, se não os enfrentarmos, eles nos devorarão.
A onipotência ataca mais na juventude. Ela nos faz supor poderes sempre acima do que temos. Confunde-se com o amor próprio para poder atacar. E o sistema produtor, que sabe disso, excita a onipotência com suas idéias de glória, beleza, força excepcional, sucesso. Basta distrairmo-nos e logo nos sentiremos com uma disposição exagerada, mas que no fundo esconde dependência de aprovação ou aplauso e medo. Só o fraco usa a força. Mas usa. E a supõe permanente.
A malignidade vai da simples fofoca à curiosidade patológica sobre a vida do próximo, atingindo o ápice em mecanismos destinados a prejudicar os demais. Um soltador de vírus na Internet é um maligno, tanto quanto o homem caviloso que engendra formas de destroçar seus concorrentes, adversários ou inimigos. A política nos ensina quanto o dia-a-dia do ser humano está esturricado de malignidade latente ou patente. Ela possui, ainda, formatos suaves que se infiltram no cotidiano. O maligno revela as sementes desse impulso desde criancinha. A história humana está repleta desse monstro.
A depressão é sonsa. Quando aparece explícita, a pessoa já está mal. Sonsa e intermitente. Aparece e some num mesmo dia, disfarça-se de estado depressivo (que não é depressão porém nela se nutre), infiltra-se em nossas irritações, cansaços, misteriosos, tédios - mascara-se com mil disfarces. Isso em tamanho diminuto, quando ela se faz companheira sinistra de nossas fantasias mentais fora de controle racional. Em tamanho grande é lúgubre. Corrói esperanças, destrói carreiras, induz ao alcoolismo ou às drogas, derruba o distinto, baixa as resistências orgânicas. A espécie humana está cheia de depressão.
A trivialidade é a mediocridade. Todos a temos. Esnobes e intelectuais pretensiosos a escondem. São momentos em que não conseguimos ser o melhor de nós, em que o outro nos atrai para seu universo limitado e nos aprisiona por causa de nossa vaidade ou do amor próprio exaltado. A trivialidade é uma das mais precisas definições da condição humana. O ser precisa elevar-se, se deseja sair do charco da trivialidade. Por isso, religiões, terapêuticas, técnicas milenares de ascese do espírito aí estão a atrair as pessoas. A vida humana deve ser um esforço permanente de santidade.
ARTUR DA TÁVOLA
16.10.10
13.10.10
uno, verso, universo, versouno
parto do ego-escravizado pelo centrifugismo material, á caminho do Eu-centrípeto, do Eu luz do qual distanciado e vivendo em enebriosa e externa concepção, humana (que natural é aos que do espírito não o acendem), para o Consciente Eu Universal, em exercícios e renovados sentidos que possui sem deglutir
há em mim
e
ascenderá em mim
o Eu
7.10.10
6.10.10
Teus negros olhos sentem mais do que não é capaz de dizer
serás.Minha, na sorte do impulso repentino
consumado!
eis o desejo libertador 'All along the eastern shore
Put your circuits in the sea
This is what the world is for
Making electricity
You can feel it in your mind
Oh you can do it all the time
Plug it in and change the world
You are my electric girl
Say! Oh girl, shock me like an electric eel
Baby girl, turn me on with your electric feel*
MGMT
5.10.10
4.10.10
"pela linda flor, o passado retoma com a lembrança homérica. pelo caminhante, a intranquilidade dividida de constância e grau com fadigada escala. por você, o amor e platonismo revelado à face arlequino
brinca com o passado e transfigura o futuro."
Ah alegria!
um estado do qual quando muito ausente, presente nos toma de forma mais esquizofrênica.
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